segunda-feira, 2 de maio de 2016

sábado, 22 de agosto de 2015

Saiba: barbarism begins at home.


Hoje olhei para meu filho e lembrei da música "Saiba" do Arnaldo Antunes.


 

Todo mundo um dia já foi como meu filho é agora. Conectado ao prazer de respirar, de olhar, de tocar, de dormir, de simplesmente existir. Ninguém é concebido raivoso, ou pedindo tortura, ou odiando, ou homofóbico, ou consumista, ou evangélico, ou budista, etc. Para mim foi importante lembrar disso.

Ver a ignorância e o ódio nas passeatas conservadoras, ver a falta de humanidade em Cunhas da política, ver o México em estado de guerra civíl, me desumaniza um pouco... mesmo inconformado começo a achar "normal" as barbaridades da loucura social.
Lembrar que todos foram beleza, amor e calor um dia me reumaniza e me faz ver com mais clareza que estou no caminho certo.

Vejo respostas agressivas na rede à estes movimentos conservadores que de maneira extremamente desconectada e ignorante requerem "violências" como resposta aos "problemas políticos" do país e do mundo. Muitas vezes me sinto representado nestas respostas. Porém, entendo que assim como a criminalidade cotidiana tem relação com a opressão e exclusão social, o autoritarismo e a sede por repressão também são frutos de amarguras, de uma pedagogia familiar/social opressora e autoritária. Imaginem o péssimo ambiente familiar em que se desenvolveram este rancor impregnado, este ódio reprimido e este medo generalizado. Uma pessoa terna, que recebeu amor, carinho, toque humano e compreensão não exige morte ou prisão de ninguém para se satisfazer, ou para resolver seus problemas.

Não estou pregando a vitimização de ninguém, e muito menos a compreensão de demandas ininteligíveis. De maneira alguma acho que devemos confraternizar com opressores, ou apoiar seu movimento político. Devemos porém, agir com presença e consciência. Habitar a política e a sociedade levando saúde para esta e não ódio. No ódio eles já ganharam, pois são filhos do ódio, da repressão sexual e sensual, são baratas de casca dura que aguentam muita pancada. 

Devemos chorar de tristeza com uma guerra, e chorar também pelos que viraram baratas de casca dura. Chorar para também não virarmos baratas de casca dura. Essa é nossa função, humanizar, nunca achar normal a destruição da vida. Criar espaços e condições para que nossas crianças não precisem se tornar baratas de casca dura para sobreviverem. Como já dizia The Smiths "barbarism begins at home".


Ao meu redor vejo isso rolando... Vejo pessoas se tornando autônomas, abandonando as falsas seguranças sociais, criando condições para as crianças se desenvolverem naturalmente, sem pressões produtivistas, cada uma a seu tempo e ritmo. E vejo também guerreiros, mas guerreiros que escolhem as lutas em que se metem. Meus amigos... como ouvi essa semana, não devemos mais combater o sistema vigente... devemos hackea-lo.


sexta-feira, 8 de maio de 2015

De onde vem a raiva ao PT?

Como cientista gosto muito de tentar entender as micro-bases dos eventos que nos permeiam.
Durante o último ano, ficou explícita em parte significativa da sociedade uma raiva aparentemente irracional ao PT, algo que me levou muitas vezes à refletir sobre suas reais motivações.

Os raivosos (aos quais normalmente falta o básico da lógica, conhecimento e informação) afirmam que o motivo da raiva é a corrupção gerenciada pelo partido. Qualquer mente razoável sabe que não é este o motivo. A corrupção faz parte da subjetividade brasileira, foi herdada dos colonizadores e não é uma falha, mas sim um autêntico comportamento nacional. Por que a raiva não existia antes então?

Numa outra perspectiva, muitos afirmam que a raiva contra o PT tem base em um processo midiático que ocorre em duas vertentes. Por um lado tem relação com a ação da mídia corporativa massificadora, plantando de maneira indireta esta raiva irracional. Por outro, tem relação com a exposição da corrupção pela mídia, que aumentou a sensação de corrupção que foi então direcionada ao partido da presidente.

Mesmo concordando que o poder midiático massificador tem influencia no processo, acredito que essa mídia seja mais fruto da visão de mundo aristocrática conservadora do que criadora desta visão. Acreditar que as pessoas são bonecos controlados pela mídia é excessiva inocência. É não querer atribuir ao povo a responsabilidade por sua própria desgraça.

E mais, se a sensação de corrupção aumentou, porque ela não se voltou, por exemplo, contra o Governo do Estado de São Paulo, que tem sido muito mais agressivo em termos de corrupção e de deturpação do bem estar social?

Para mim o PT despertou a raiva das pessoas por trair elas. Mais especificamente por trair o pacto de mediocridade social onde todos devem parecer honestos ao serem desonestos.

Primeiramente o PT traiu a imagem da família patriarcal conservadora de bons costumes, com dois presidentes que não se encaixam no perfil homem branco de berço de ouro e família feliz. Na simbologia conservadora, a imagem do partido ficou resumida como "comunista", termo usado de maneira pejorativa nos "protestos pelo impeachment" para agredir o partido.

Segundo, o PT permitiu investigações sobre a corrupção, o que mexeu profundamente com a subjetividade brasileira. O que as pessoas da paulista realmente temem é que esse negócio de investigar corrupções se espalhe, chegando nas micro-relações. Escute mais uma vez os gritos dos protestos e releia mais uma vez as faixas expostas e nas entrelinhas você escutará: "Não quero parar de sonegar imposto", "Não quero parar de dar propina ao policial", "Não quero registrar legalmente e dar direitos trabalhistas para minha empregada", "Não quero que o pobre tenha chances de concorrer com o meu filho em nada", "Não quero parar de trair minha esposa com a secretária", "Não quero falar bom dia ao porteiro" e etc.

Ou seja,  em terceiro, a pequena mudança promovida pelo PT no campo social teve grandes impactos no campo subjetivo brasileiro e a doença institucional se sentiu ameaçada.

Mais que isso, a resposta da doença institucional foi clara no legislativo nacional, tanto em sua eleição como em sua atuação. Leis conservadoras como nunca estão sendo empurradas para a sociedade, que respira aliviada vendo que o imobilismo não esta sendo verdadeiramente ameaçado.

De forma alguma defendo neste texto a corrupção de qualquer partido ou indivíduo (em qualquer nível), porém, devemos ser objetivos e racionais em nossas análises políticas, abandonando comportamentos emotivos juvenis em nossas decisões. De qualquer forma, supor e condenar a corrupção de terceiros sem ser crítico à sua própria corrupção é um exercício medíocre, uma fuga à realidade.

Encerro sugerindo uma análise. Para confirmar, ou discordar, de minhas hipóteses, perceba nas pessoas de seu círculo social que existe uma correlação forte entre comportamento corrupto e raiva ao PT. Se você é um dos raivosos, este exercício pode ser bem difícil, porém revelador.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Sinceridade...

Sinceridade?
Não sei ser sincero.
E quando acho que sou,
pelo falso espero.

Pior quem mente a si mesmo,
dizendo usar sinceridade.
Em alguns uma forma de agressão,
em outros uma fingida humildade.

O ser sincero é pedra rara,
que nada sabe de sua honestidade.
Ele simplesmente cruza o tempo,
a luz, o campo, a cidade.

Sem ideais, sem pesares,
mutantis primavero,
definitivamente indefinível...
abruptamente belo.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sem internet.

O blog se encontra em pausa temporária. Na nossa vida rural num tem internet.

domingo, 19 de outubro de 2014

Economia e Desenvolvimento

Peço licença aos amigos leitores do Blog para utilizar este espaço para publicar uma série de textos (interconectados) com a temática economia e desenvolvimento.

A publicação se iniciará após o segundo turno das eleições 2014 e passará pelas seguintes reflexões:

- Ciências econômicas e a percepção das forças conservadoras. Por uma economia das emergências.

 - A proposta de novas ferramentas sensoriais para a ciência econômica.

 - A relação entre desenvolvimento e consumo.

 - Do consumo ao consumismo.

 - Do consumismo ao pós-consumismo.

 - Para chegar no pós-consumismo temos que passar pelo consumismo?

 - É necessário possuir um produto para usufruir de seus benefícios? (Possuir X Ter acesso).

 - Questionando as formas de poder pela potência. Como o pós-consumismo potencializa o tecido social.

 - A importância do tecido social para o desenvolvimento.

- A necessidade de novos ferramentais econômicos para a percepção do desenvolvimento não consumista.